
A PIPA
Menino descalço
na ventania
desdenha o rigor
da manhã fria,
de queixo empinado
o olhar enlevado
seguindo no espaço
a dança multicor
da fantasia
as mãos manobrando
o cordel esticado
- controle remoto -
ponte pênsil
sobre os pilares do vento.
E no alto azul
a pipa presa
na ponta do cordel
vai e vem,
gira, coleia, revoluteia,
vibra, luta, puxa,
tentando libertar-se
como potro apanhado no laço,
como peixe no anzol.
E como também tu, menino,
em luta por espaço,
preso ao invisível fio
do teu Destino.
Téia Borda de Lima
Poetisa pelotense.
Membro do CLIPE – Centro Literário Pelotense.
Origem da imagem: Aqui