quarta-feira, agosto 20, 2008

De Partida


DE PARTIDA

Cansei desta vida
de dias sofridos
de esperas inúteis
de sobras de amor.

De dias vazios
de noites insones
de vida mosaico
composta de cacos
de amores perdidos
de planos desfeitos
e esperanças vãs
- mosaico que é feito
com pedras de dor.

Cansei, vou embora,
já estou de partida,
pra onde, nem sei;
só sei que é pra longe
de tudo que fui,
de tudo que sou
que não mais serei.

E irei construindo
meus novos caminhos,
deixando tristezas,
lembranças, cansaços
e desilusões.

Levando na mala
(e é tudo que tenho),
meu auto-respeito
e a dignidade
que nunca perdi;
bastante amor próprio,
lições aprendidas,
determinação.

Estou de partida,
um tempo encerrando,
sem dúvida ou medo,
sem olhar pra trás,
- com a alma lavada,
coração em paz...

(Eloah Borda - D.A.Reservados)

quarta-feira, julho 30, 2008


CINZAS

Meu ontem foi carnaval
- luzes, cores, alegrias;
sonhos, planos, ilusões;
esperanças, fantasias,
desfilando sem cuidados,
na avenida do tempo,
ao ritmo cadenciado
de um coração sonhador...

Num hoje de quarta-feira
- sozinha na dispersão -
restam-me n’alma saudades,
e cinzas, no coração...

(Eloah Borda – D.A.Reservados)

sábado, julho 26, 2008

domingo, julho 20, 2008

sexta-feira, julho 18, 2008

Soneto Vazio


SONETO VAZIO

Não sei por que, eu hoje estou vazia
-meu coração parece que secou;
a inspiração se foi, e na alma, fria,
a sensibilidade congelou.

Quero escrever, quero fazer poesia,
mas sobre o que?! A verve se esgotou...
E nessa pasmaceira, foi-se o dia,
já é noite, e sem idéias ainda estou.

Sinto um vazio dentro do meu peito,
um nada existencial, que me apavora
- será que já morri, e ainda não sei?!

Mas que bobagem!...Chega, não tem jeito!
Devo tentar dormir - é tarde agora,
para filosofar... Chega. Cansei.


(Eloah Borda - D.A.Reservados)

sexta-feira, julho 04, 2008

A Grande Corrida



A GRANDE CORRIDA

Tempo é dinheiro, a competitividade é grande,
e o homem corre, o homem tem pressa
- ele não pode perder tempo olhando a paisagem...

Que importa se o céu está azul, ou cinzento;
se os pássaros cantam, ou se as flores desabrocham?

- Ele não pode ver... ele está muito ocupado
em remover as pedras do caminho...

O homem corre, o homem tem pressa
- ele não pode perder tempo
com as coisas simples e belas da vida...

Ele está preso ao relógio, ao calendário,
e na ampulheta de seu viver diário,
vão escorrendo os minutos, as horas,
os dias, os meses, os anos
- vai escorrendo a sua própria vida,
até compreender, então já muito tarde,
talvez profissional
e financeiramente realizado
(ou talvez não...),
e com a alma vazia,
que, afinal, não valeu a pena correr tanto.
e que de bom grado trocaria,
todas as úlceras que cultivou,
por uma só das flores que esmagou,
sob seus pés, nessa louca correria!...

(Eloah Borda – D.A.Reservados)

domingo, junho 29, 2008

Caixas do Passado


CAIXAS DO PASSADO
(Eloah Borda)

Talvez num surto de melancolia,
eu resolvi rever os meus guardados
e pus-me a abrir as caixas do passado,
onde guardei meus sonhos e alegrias.

Cartas de amor... cartões... fotografias...
Recortes de jornal já amarelados
(momentos meus, no tempo congelados),
lembranças do que fui, e tive, um dia...

Lembranças, nada mais (pra quê revê-las?),
são como o brilho de uma extinta estrela
- uma ilusão, sabendo à despedida...

Estranha sensação, ver tanta vida
assim, tão morta já, fria, silente,
ao alcance das mãos, e tão distante!...

(D.A.Reservados)

quarta-feira, junho 25, 2008

Momentos


MOMENTOS
(Eloah Borda)

Hoje estou triste, e triste é o meu soneto,
só estou escrevendo pra desabafar;
nem mesmo sei se as rimas vou achar,
e até talvez saia algum verso manco.

Pra começar, chove demais... Lá fora
tudo é cinzento e frio... E este vento,
aos meus ouvidos soa qual lamento,
das dores mudas dos poetas tristes...

Riscam os céus, relâmpagos, me encolho
- as tempestades sempre me assustaram -
e tensa espero o estrondo do trovão...

Sinto-me, então, criança, indefesa,
e aqui tão só, tão triste, nestes versos,
tento espantar o medo e a solidão.

(D.A.Reservados).

segunda-feira, junho 23, 2008

Insone



INSONE

Madrugada...
Insone...
Solidão...

As horas se arrastam cansadas,
pesadas, frias,
vazias...
- nem mesmo Morfeu
parece querer
acolher-me em seus oníricos braços...

Só esta sensação de vazio,
este aperto no peito...

Enquanto Hipnos me nega
seu refúgio,
seu conforto,
escrevo...

Tão somente escrevo
- sem vôos poéticos –
sem palavras bonitas,
sem frases de efeito
sem rimas,
sem métrica.
Apenas descrevo,
registro o que penso
tentando afastar meus fantasmas,
preencher
o vazio do momento...

Porque não quero pensar,
não quero lembrar,
- tampouco falar de amor...

Quero apenas dormir,
sonhar talvez,
mas o sono não chega...

Fico a olhar, então, pela janela,
procurando lá fora
alguma coisa
que ocupe o meu pensamento,
que me faça esquecer
de coisas que não quero lembrar.

Mas, a esta hora,
a rua está quase deserta,
parece vazia...
Uma densa neblina envolve tudo
- as lâmpadas emitem uma luz difusa,
fantasmagórica,
e as mais distantes,
cujos postes tornaram-se invisíveis na neblina,
dão a impressão de estarem soltas no ar
- uma estranha visão...

E este silencio
(que chega parecer palpável,
úmido... pesado...),
só quebrado,
esporadicamente,
pelo barulho do motor de algum carro,
que, num instante,
surge e some na escuridão...

De vez em quando,
vejo um vulto, impreciso,
emergir da neblina,
aproximar-se,
e passar, como uma sombra,
para em seguida sumir,
(juntamente com o ruído cadenciado,
de seus passos na calçada),
como que vindo do nada,
e indo para lugar nenhum...

De novo o silêncio,
as luzes difusas,
a neblina,
a rua
vazia...

E eu...
só...
insone...
desejando não ser eu,
estar longe de mim
- ser apenas mais um vulto,
envolto na neblina,
dessa rua semideserta,
indo também para lugar nenhum...

... ou talvez em busca
de um novo amanhecer...

(Eloah Borda – D.A.Reservados
)