terça-feira, novembro 29, 2011

Devaneios


Devaneios

Rolar nos campos de tua primavera
das flores absorver perfume e cor
e, assim, meio mulher e meio flor
ser colhida por ti – ah, quem me dera!

Repousar nos teus braços – fantasia! -
despetalar carícias no teu peito,
espargir meu perfume no teu leito,
ser tua flor, mulher e poesia!

Ser teu poema vivo, o mais ousado
- um poema de amor e de loucura,
escrito entre lençóis de seda pura,
e que seja, no instante, eternizado...

- Mas são só devaneios, meu amado,
anseios de um amor que me é negado...

(Eloah Borda - D.A.Rerservados)

sábado, outubro 22, 2011

quinta-feira, setembro 15, 2011

Saudade Antiga


Saudade antiga

Mais nada sei de ti... Somente sei
desta saudade minha – doce, amiga -
que é uma saudade tua, e tão antiga,
que até com ela já me acostumei.

É uma saudade boa, suave, mansa,
que me acompanha sempre, branda e calma;
já fez seu ninho dentro de minha alma
que, de lembrar de ti, jamais se cansa.

Serena dor que, resignada, aceito
pois preenche o vazio de tua ausência,
como se fora a tua própria essência,
aconchegada dentro do meu peito.

... se é estar longe de ti, minha verdade,
que estejas tu
em mim, nesta saudade...

(Eloah Borda - D.A.Reservados)

sábado, setembro 03, 2011

Recado Mudo


RECADO MUDO

E de repente a luz de tua presença,
tal qual o sol que na manhã desponta,
iluminou meu céu, de ponta a ponta,
mesmo já sendo noite, e a chuva densa!

Meu coração, já triste de esperar,
estremeceu no peito de alegria
- o som do vento virou melodia
e a chuva fez-se canção de ninar...

Porém, tal qual o sol, passaste ao largo,
deixando apenas um recado mudo,
que sem nada dizer, me disse tudo,
nesse teu rastro de silêncio amargo...

E o vento, então, voltou a gemer lá fora,
e a chuva, na vidraça, é triste agora...

(Eloah Borda)

segunda-feira, agosto 15, 2011

No Vazio do Teu Silêncio


NO VAZIO DO TEU SILÊNCIO

No vazio
de teu longo e incompreensível silêncio,
onde perambulam, qual fantasmas,
minhas interrogações,
minhas perguntas sem respostas,
e esta doída saudade,
em vão,
tento visualizar teu rosto do passado,
mas não consigo mais fixar
a imagem fugidia,
sobre a qual se sobrepõe
um esboço de rosto,
sem forma, sem detalhes,
um ícone apenas,
impessoal, vazio...
E se tento reencontrar-te,
se insisto em te buscar,
só encontro a mim mesma
a procurar-te...

(Eloah Borda)


terça-feira, novembro 23, 2010

Considerações sobre "ser"


Considerações sobre “ser”...

Desvestida de vaidades,
consciente do meu tamanho,
do meu lugar e importância
neste mundo em que vivemos,
não me sentindo inferior,
ou superior a ninguém,
e nem tampouco igual,
eu sou tão somente eu
- una e multiplicidade,
pois faço parte do todo
e o todo tenho em mim.

Em minhas células trago
genes dos meus ancestrais,
de incontáveis gerações
(sou, portanto, multidão)
e que nos meus descendentes
- mesmo depois que eu me for –
a viver continuarão,
sendo eu mortal e imortal...

Sou macro e micro espaço,
somente questão de enfoque,
de ponto de referência
- sendo universo infinito
pra quaisquer microorganismos
que, pra meu bem ou meu mal,
o meu organismo habitem,
mas infinitesimal
tendo em vista, já nem digo,
a imensidão do universo,
nem mesmo a nossa galáxia,
mas só o sistema solar...

Sou porta aberta ao futuro
sou constante aprendizado,
mas também o resultado
de ensinamentos passados
- daqueles que já se foram
deixando-me o seu legado.

E sou um “ser transição”,
que vem do que já se foi
para o que ainda não é,
e que ao “ser,” também se irá,
e assim até que se escoe
o meu derradeiro grão,
na “cintura” da ampulheta,
onde a areia da vida
vai na contramão do tempo,
do futuro pra o passado,
deslizando em marcha à ré...

Mas em todo esse contexto,
no meu aqui e agora,
tenho um cantinho só meu,
exato do meu tamanho,
no lugar certo pra mim
e a importância devida
- é o meu pequeno universo,
meu mundo particular,
que me faz plena, completa
e onde, com muito orgulho,
junto com aqueles que amo,
simplesmente posso ser
tudo que importa pra mim
- mulher, mãe, avó e poeta...

(Eloah Borda)

quinta-feira, outubro 07, 2010

Amigo Mar


Amigo Mar

Amigo mar, eu já não posso ver-te,
já não te alcança mais o meu olhar,
pois, pouco a pouco, essas construções,
foram tomando o espaço entre nós dois,
- daqui, só posso ouvir teu marulhar...

Se esse teu marulhar é canto ou pranto,
depende, dizem, dos ouvidos que te escutam -
que aos corações felizes, soa canto,
mas soa pranto, aos corações feridos...

... amigo mar, por que tu choras tanto?!...

(Eloah Borda)

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domingo, setembro 05, 2010

Poeta no Cardiologista


Poeta no cardiologista

Meu coração, doutor, não sei por que,
anda, faz tempo já, descompassado
- ora dispara qual potro indomado,
ora parece até querer parar...

Eu sei, doutor, que ele, emocionalmente,
instável sempre foi, rebelde, inquieto,
mas o que sinto agora é diferente,
e não é um mal de amor, tenho certeza
- males de amor eu muito bem conheço
e já com eles sei como lidar.

Por isso o estou deixando aos seus cuidados,
para que o possa então examinar,
buscando as causas deste desconforto,
e uma maneira de o minimizar,
porque tal descompasso já me inquieta.

Mas lhe peço, doutor, tenha cuidado
com este tão forte-frágil coração
(mesmo que não consiga compreendê-lo,
em toda a sua subjetividade)
trate-o com paciência, com desvelo,
pois não é só uma bomba muscular
a impulsionar o sangue por meu corpo
- ele é um sensível coração de poeta,
fonte de amor, de sonho e inspiração...

(Eloah Borda)

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Nas Trilhas dos Sonetos e Poliantéia