quarta-feira, outubro 29, 2008

A Pipa


A PIPA

Menino descalço
na ventania
desdenha o rigor
da manhã fria,
de queixo empinado
o olhar enlevado
seguindo no espaço
a dança multicor
da fantasia
as mãos manobrando
o cordel esticado
- controle remoto -
ponte pênsil
sobre os pilares do vento.

E no alto azul
a pipa presa
na ponta do cordel
vai e vem,
gira, coleia, revoluteia,
vibra, luta, puxa,
tentando libertar-se
como potro apanhado no laço,
como peixe no anzol.

E como também tu, menino,
em luta por espaço,
preso ao invisível fio
do teu Destino.

Téia Borda de Lima
Poetisa pelotense.
Membro do CLIPE – Centro Literário Pelotense
.

Origem da imagem: Aqui

quarta-feira, outubro 15, 2008

Espelho Meu


ESPELHO MEU

Por que, espelho meu, quando procuro,
em ti, na minha imagem refletida,
aquele meu olhar cheio de vida,
tu me devolves esse olhar tão duro?

Por que, espelho meu, quando preciso
ver meu sorrir feliz, descontraído,
tu só me mostras esse ar sofrido,
que é mais esgar, careta, que sorriso?

Se estás comigo há tanto tempo, e tanto
já o meu alegre rosto refletiste,
por que me mostras esse rosto triste
marcado pelo tempo, a dor e o pranto?

Me diz espelho meu, se essa sou eu,
onde escondeste o rosto que foi meu?

(Eloah Borda – D.A.Reservados)

quarta-feira, outubro 08, 2008

Olhos de Sonho

Olhos de sonho

Com olhos de sonho
eu te vejo chegar
- e sorris para mim -
e me estendes teus braços
que envolvem meu corpo
naquele abraço
que já foi tão meu!

E me olhas nos olhos,
me beijas na boca,
e num doce sussurro
me dizes: - Voltei...

... então eu acordo,
e com olhos de pranto, 
eu me vejo tão só...

(Eloah Borda – D.A.R.)

domingo, outubro 05, 2008

sábado, setembro 27, 2008

quinta-feira, setembro 25, 2008

Tempestade de Verão

TEMPESTADE DE VERÃO
(Eloah Borda)

E sobre a tarde desce um véu cinzento
- nuvens se adensam, prenhes de tormenta -
miniremoinhos, filhotes de vento,
brincam de rodopiar pela calçada...

Há uma calma irreal, morna, pesada,
já prenunciando a tempestade... O vento,
de repente se faz forte, violento,
e o céu desaba num fragor de raios,
trovões, chuva, granizo, ventania!

O que era calma, agora se fez fúria,
e o que já era cinzento, escuridão,
foi-se a energia elétrica, e eu mal vejo
à luz intermitente dos relâmpagos,
a folha de papel na qual escrevo.

Decido: escreverei à luz de velas,
pois não vou permitir que esta tormenta,
que já apagou, na tarde, a luz do dia
- e agora apaga a luz artificial -
também apague a minha poesia...

Mas em seguida tudo passa, e o vento,
agora ameno, tange céus afora,
restos de nuvens, paridas, vazias,
por entre as quais vazam raios de sol
- um sol que já se vai rumo ao poente,
tingindo de dourado o fim da tarde,
com toques de vermelho no horizonte
- o que era fúria, se faz calmaria,
o que era escuridão, volta a ser dia.

Gotas ainda pingam dos beirais,
no ar há um cheiro de terra molhada,
e espanejando-se nas poças d’água,
estão a refrescar-se alguns pardais.

E tudo agora é paz...

Fico a pensar, então, que bom seria,
nossas tormentas fossem passageiras
como essas tempestades de verão...

Mas tem, o coração, seu próprio tempo,

e estou ainda a esperar... Quem sabe,
um dia, o vento bom do esquecimento,
venha varrer meu céu, levando enfim,
todos os restos dos meus temporais...

... e o sol volte a brilhar no meu jardim,
e cantem pássaros nos meus beirais...

(Direitos Autorais Reservados)

domingo, setembro 21, 2008

A Árvore e o Arbusto - Parábola


A ÁRVORE E O ARBUSTO (parábola)

Dizia uma grande árvore a um subarbusto,
que a alguns metros dela, balançava ao vento,
quase tocando o chão a cada movimento
tentando equilibrar-se sobre o solo adusto:

- Como insignificante tu és, pequeno arbusto,
viver quase beijando o chão, que sofrimento!
Tão reles, tão rasteiro... E eu este portento
- deves morrer de inveja do meu porte augusto!

E essa demonstração de superioridade,
essa tenaz e impiedosa humilhação,
por muito e muito tempo ainda continuou...

Até que certo dia infrene tempestade,
a árvore arrancou, levando-a de roldão
- e o pequenino arbusto incólume ficou...

(Eloah Borda-D.A.Reservados)

sexta-feira, setembro 19, 2008

Do caos ao caos


DO CAOS AO CAOS
(Eloah Borda)

E antes do princípio era somente o caos,
o abismo, o indefinido, o não organizado
- então a Luz se fez e, na face do abismo,
a ordem surge enfim, criando-se o Universo.

No Universo a Terra, e então na Terra, a vida,
e após, de evolução, incontáveis milênios
- da célula primeira até aos nossos dias -
parece ter havido um “erro de percurso”...

Porque após tanto esforço e tanta evolução
- o produto final, que é a humanidade,
vive em semibarbárie em insensatas guerras.

E tendo em suas mãos a possibilidade,
de fazer deste mundo um quase paraíso,
insanamente marcha em direção ao caos...

(D.A.Reservados)

domingo, setembro 14, 2008

quarta-feira, setembro 10, 2008

Naufrágio


Naufrágio

Eu me abriguei em tua sombra
pensando que fosses árvore
- e eras nuvem passageira...

E me apoiei em teu ombro
pensando que fosses rocha
- e eras somente argila...

Quis me enraizar em ti
pensando que fosses terra...

... e eras mar...

(Eloah Borda-D.A.Reservados)