terça-feira, janeiro 06, 2009

Infância


INFÂNCIA

Infância livre
Casa na árvore
Pés no riacho
Correr na grama.
Rodar o arco
Jogar pedrinhas
Gado de osso
Na mangueirinha.

Leite fresquinho
Água de poço
Ouvir o canto
Da passarada
Galo cantando
Na madrugada.

Empoleirar-se
Em pés de lata
Ir catar ovos
Dentro da mata
Oh, não de pássaros,
Mas de galinhas
- Frangas fujonas
Fazendo ninhos
No matagal.

Frutas fresquinhas
- Peras, laranjas,
Uvas e limas
Lá no quintal...

Noite estrelada
Num céu inteiro
Até o horizonte
Para se olhar.

Dormir ouvindo
O cri-cri dos grilos
E o arvoredo
A farfalhar.

Sonhar com duendes
Bruxas malvadas
Varinha mágica,
Bichos falantes,
ogros e fadas
- Mundo encantado
Em que as crianças,
Naquele tempo,
Acreditavam.

Quanta saudade
Mágica infância
Bela e distante
Quase esquecida
Lá no passado!

Que diferente
Da infância de hoje
Numa cidade!...

(Eloah Borda-D.A.Reservados).

5 comentários:

sabale disse...

muito bonito

Rita Costa disse...

Oi, minha querida.
Adorei sua visita poética.:)

E não se preocupe viu querida, eu entendo essas coisas.
Sabe, aqui no Rio costumamos dizer que o ano na verdade só começa depois do carnaval. Antes disso tudo é festa, motivo de comemoração.
E tem coisa melhor que receber aqueles que amamos? Aproveite e se divirta bastante amiga.

Beijinhus de Alma e obrigada!

Rita Costa disse...

Ah!
Estou saindo daqui com uma vontadeeee de dar um abraço igual esse da foto.
Fazia muito isso na infância.:)

Poema lindo querida! Beijussss

Geisa Gonzaga disse...

Amiga, querida! Que blogger maravilhoso! Tudo nele reflete seu carinho, a perfeição que lhe é peculiar - aliás, virginiana está sempre buscando a perfeição! Você é um dos poucos poetas contemporâneos que constróem um verdadeiro soneto - minha forma predileta de poemas - mas que, infelizmente, não tenho esse dom. Conto pra ninguém, mas essa é talvez minha maior frustração.
Parabéns, amiga, vou já salvar o link para voltar sempre aqui.
Beijo grande da amiga Geisa

neo-orkuteiro disse...

Sua infânca, Eloah, virou reminiscências, que por sua vez viraram versos que eu pude ler e gostar, inclusive por ter também várias reminiscências de minha época "oh, que saudades que eu tenho /Da aurora da minha vida" e por aí vai.
A idade pediátrica é maravilhosa, e a gente lá, cheio de pressa de "ficar grande" logo, como se fosse a maior chatice do mundo ser criança, sem nem saber que não era não.
Depois a gente descobre o que é que realmente saudade (essa bonita palavra que dizem ser exclusividade da nossa língua) quer dizer.
Sua infância parece ter sido linda, tantas brincadeiras, tantos "folguedos" como na época diziam os mais velhos. Tinha aquelas cantigas de roda que nós todos sabíamos, talvez ainda saibamos.
Parabéns por esses versos cheinhos dessa saudade tão gostosa de sentir.