quinta-feira, setembro 15, 2011

Saudade Antiga


Saudade antiga

Mais nada sei de ti... Somente sei
desta saudade minha – doce, amiga -
que é uma saudade tua, e tão antiga,
que até com ela já me acostumei.

É uma saudade boa, suave, mansa,
que me acompanha sempre, branda e calma;
já fez seu ninho dentro de minha alma
que, de lembrar de ti, jamais se cansa.

Serena dor que, resignada, aceito
pois preenche o vazio de tua ausência,
como se fora a tua própria essência,
aconchegada dentro do meu peito.

... se é estar longe de ti, minha verdade,
que estejas tu
em mim, nesta saudade...

(Eloah Borda - D.A.Reservados)

sábado, setembro 03, 2011

Recado Mudo


RECADO MUDO

E de repente a luz de tua presença,
tal qual o sol que na manhã desponta,
iluminou meu céu, de ponta a ponta,
mesmo já sendo noite, e a chuva densa!

Meu coração, já triste de esperar,
estremeceu no peito de alegria
- o som do vento virou melodia
e a chuva fez-se canção de ninar...

Porém, tal qual o sol, passaste ao largo,
deixando apenas um recado mudo,
que sem nada dizer, me disse tudo,
nesse teu rastro de silêncio amargo...

E o vento, então, voltou a gemer lá fora,
e a chuva, na vidraça, é triste agora...

(Eloah Borda)

segunda-feira, agosto 15, 2011

No Vazio do Teu Silêncio


NO VAZIO DO TEU SILÊNCIO

No vazio
de teu longo e incompreensível silêncio,
onde perambulam, qual fantasmas,
minhas interrogações,
minhas perguntas sem respostas,
e esta doída saudade,
em vão,
tento visualizar teu rosto do passado,
mas não consigo mais fixar
a imagem fugidia,
sobre a qual se sobrepõe
um esboço de rosto,
sem forma, sem detalhes,
um ícone apenas,
impessoal, vazio...
E se tento reencontrar-te,
se insisto em te buscar,
só encontro a mim mesma
a procurar-te...

(Eloah Borda)


terça-feira, novembro 23, 2010

Considerações sobre "ser"


Considerações sobre “ser”...

Desvestida de vaidades,
consciente do meu tamanho,
do meu lugar e importância
neste mundo em que vivemos,
não me sentindo inferior,
ou superior a ninguém,
e nem tampouco igual,
eu sou tão somente eu
- una e multiplicidade,
pois faço parte do todo
e o todo tenho em mim.

Em minhas células trago
genes dos meus ancestrais,
de incontáveis gerações
(sou, portanto, multidão)
e que nos meus descendentes
- mesmo depois que eu me for –
a viver continuarão,
sendo eu mortal e imortal...

Sou macro e micro espaço,
somente questão de enfoque,
de ponto de referência
- sendo universo infinito
pra quaisquer microorganismos
que, pra meu bem ou meu mal,
o meu organismo habitem,
mas infinitesimal
tendo em vista, já nem digo,
a imensidão do universo,
nem mesmo a nossa galáxia,
mas só o sistema solar...

Sou porta aberta ao futuro
sou constante aprendizado,
mas também o resultado
de ensinamentos passados
- daqueles que já se foram
deixando-me o seu legado.

E sou um “ser transição”,
que vem do que já se foi
para o que ainda não é,
e que ao “ser,” também se irá,
e assim até que se escoe
o meu derradeiro grão,
na “cintura” da ampulheta,
onde a areia da vida
vai na contramão do tempo,
do futuro pra o passado,
deslizando em marcha à ré...

Mas em todo esse contexto,
no meu aqui e agora,
tenho um cantinho só meu,
exato do meu tamanho,
no lugar certo pra mim
e a importância devida
- é o meu pequeno universo,
meu mundo particular,
que me faz plena, completa
e onde, com muito orgulho,
junto com aqueles que amo,
simplesmente posso ser
tudo que importa pra mim
- mulher, mãe, avó e poeta...

(Eloah Borda)

quinta-feira, outubro 07, 2010

Amigo Mar


Amigo Mar

Amigo mar, eu já não posso ver-te,
já não te alcança mais o meu olhar,
pois, pouco a pouco, essas construções,
foram tomando o espaço entre nós dois,
- daqui, só posso ouvir teu marulhar...

Se esse teu marulhar é canto ou pranto,
depende, dizem, dos ouvidos que te escutam -
que aos corações felizes, soa canto,
mas soa pranto, aos corações feridos...

... amigo mar, por que tu choras tanto?!...

(Eloah Borda)

Talvez goste de ver: Nas Trilhas dos Sonetos e Poliantéia

domingo, setembro 05, 2010

Poeta no Cardiologista


Poeta no cardiologista

Meu coração, doutor, não sei por que,
anda, faz tempo já, descompassado
- ora dispara qual potro indomado,
ora parece até querer parar...

Eu sei, doutor, que ele, emocionalmente,
instável sempre foi, rebelde, inquieto,
mas o que sinto agora é diferente,
e não é um mal de amor, tenho certeza
- males de amor eu muito bem conheço
e já com eles sei como lidar.

Por isso o estou deixando aos seus cuidados,
para que o possa então examinar,
buscando as causas deste desconforto,
e uma maneira de o minimizar,
porque tal descompasso já me inquieta.

Mas lhe peço, doutor, tenha cuidado
com este tão forte-frágil coração
(mesmo que não consiga compreendê-lo,
em toda a sua subjetividade)
trate-o com paciência, com desvelo,
pois não é só uma bomba muscular
a impulsionar o sangue por meu corpo
- ele é um sensível coração de poeta,
fonte de amor, de sonho e inspiração...

(Eloah Borda)

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Nas Trilhas dos Sonetos e Poliantéia

domingo, agosto 22, 2010

De Partida


DE PARTIDA

Cansei desta vida
de dias sofridos,
de esperas inúteis,
de sobras de amor.

De dias vazios,
de noites insones,
de vida mosaico
composta de cacos
de amores perdidos,
de planos desfeitos,
e esperanças vãs
- mosaico que é feito
com pedras de dor.

Cansei, vou embora,
já estou de partida,
pra onde nem sei
- só sei que é pra longe
de tudo que fui,
de tudo que sou,
que não mais serei.

E irei construindo
meus novos caminhos,
deixando tristezas,
lembranças, cansaços
e desilusões.

Levando na mala
(e é tudo que tenho)
meu auto-respeito
e a dignidade
que nunca perdi;
bastante amor próprio,
lições aprendidas,
determinação.

Estou de partida,
um tempo encerrando,
sem dúvida ou medo,
sem olhar pra trás,
- com a alma lavada,
coração em paz...

(Eloah Borda)
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sábado, julho 10, 2010

Coração Distraído


CORAÇÃO DISTRAIDO

Meu coração, distraído,
tropeçou numa ilusão,
caiu em um mar de sonhos,
encharcou-se de esperanças,
perdeu pé da realidade,
mergulhou na fantasia
e afundou numa paixão
- que era canto de sereia
belo castelo de areia,
que a onda veio e levou...

E hoje qual navio-fantasma,
sem leme, sem direção,
envolto no nevoeiro
da total abstração,
carregado de descrença
desencanto, solidão,
pelo mar da indiferença,
à-toa, ao sabor do vento
vagueia este coração...

(Eloah Borda)

Talvez goste de ver: Nas Trilhas dos Sonetos e Poliantéia