sábado, novembro 29, 2008

SOS SANTA CATARINA


Triste primavera

Das andorinhas, triste é o vôo agora,
do sabiá, o canto é um lamento,
por este céu que está sempre cinzento,
por esta chuva que não vai embora,

e, deste povo, o grande sofrimento,
pelas perdas sofridas... Por quem chora
pelas vidas ceifadas, e o tormento
desta incerteza do aqui e agora...

Quando, outra vez, o sol no céu brilhar,
e esta terra alagada então secar,
e voltar a esperança aos corações,

a vida poderá seguir em frente
- e as andorinhas voarão contentes,
e o sabiá entoará canções.

(Eloah Borda-29/11/80)


segunda-feira, novembro 17, 2008

Bolha de sabão


Bolha de sabão

É hora de acordar, foi lindo o sonho,
mas foi somente meu este querer,
que guardarei nos versos que componho,
enquanto espero o tempo de esquecer.

E eu cantarei, do sonho o encantamento,
as emoções, o enlevo, a inspiração;
da realidade, o desapontamento
de ter, com teu amor, sonhado em vão.

Mas valeu a ilusão, ainda que breve,
qual bela e frágil bolha de sabão,
que num momento voa, linda e leve,
noutro, desfaz-se em lágrimas no chão...

... mas minhas lágrimas transformo em canto,
pois são os versos, desta poeta, o pranto...

(Eloah Borda-D.A.Reservados).

segunda-feira, novembro 10, 2008

Hoje não tem poesia...


Hoje não tem poesia...

Hoje eu não quero pensar,
hoje eu não quero sentir,
porque o sentir dói...
Tranco-me dentro de mim
- esvazio-me -
fecho todas as portas...

Hoje eu estou assim
- nem mesmo a poesia
me conforta...

(Eloah Borda-D.A.Reservados)

sábado, novembro 01, 2008

Poeta


P O E T A

Poeta
é um ser-coração,
que pulsa na cadência
de seus próprios versos,
qual harpa eólia a vibrar,
ao perpassar de brisas
ou de vendavais,
no compasso ou descompasso
de seus contraditórios sentimentos...

É solidão, é multiplicidade,
é inconstância, é persistência
é fortaleza, é fragilidade...

É sensibilidade pura,
é emoção,
constantemente,
à flor da pele...

É alma inquieta, insatisfeita,
sempre à procura do verso perfeito
ou daquele amor idealizado
(e irrealizável)
feito de sonhos
e de fantasia...

É alternância,
sempre a oscilar,
na gangorra de suas emoções,
ora alçando-se ao paraíso,
ao prazer supremo
das grandes paixões,
ora descendo ao inferno
de suas frustrações
e desencantos...

É um mágico e um louco,
que pode, sem ter asas,
voar ao infinito,
banhar-se de luar,
conversar com as estrelas,
e se dizer capaz de entendê-las...

É um criador
de beleza e de harmonia,
um ser capaz de tudo transformar
em poesia...

(Eloah Borda-D.A.Reservados)

quarta-feira, outubro 29, 2008

A Pipa


A PIPA

Menino descalço
na ventania
desdenha o rigor
da manhã fria,
de queixo empinado
o olhar enlevado
seguindo no espaço
a dança multicor
da fantasia
as mãos manobrando
o cordel esticado
- controle remoto -
ponte pênsil
sobre os pilares do vento.

E no alto azul
a pipa presa
na ponta do cordel
vai e vem,
gira, coleia, revoluteia,
vibra, luta, puxa,
tentando libertar-se
como potro apanhado no laço,
como peixe no anzol.

E como também tu, menino,
em luta por espaço,
preso ao invisível fio
do teu Destino.

Téia Borda de Lima
Poetisa pelotense.
Membro do CLIPE – Centro Literário Pelotense
.

Origem da imagem: Aqui

quarta-feira, outubro 15, 2008

Espelho Meu


ESPELHO MEU

Por que, espelho meu, quando procuro,
em ti, na minha imagem refletida,
aquele meu olhar cheio de vida,
tu me devolves esse olhar tão duro?

Por que, espelho meu, quando preciso
ver meu sorrir feliz, descontraído,
tu só me mostras esse ar sofrido,
que é mais esgar, careta, que sorriso?

Se estás comigo há tanto tempo, e tanto
já o meu alegre rosto refletiste,
por que me mostras esse rosto triste
marcado pelo tempo, a dor e o pranto?

Me diz espelho meu, se essa sou eu,
onde escondeste o rosto que foi meu?

(Eloah Borda – D.A.Reservados)

quarta-feira, outubro 08, 2008

Olhos de Sonho

Olhos de sonho

Com olhos de sonho
eu te vejo chegar
- e sorris para mim -
e me estendes teus braços
que envolvem meu corpo
naquele abraço
que já foi tão meu!

E me olhas nos olhos,
me beijas na boca,
e num doce sussurro
me dizes: - Voltei...

... então eu acordo,
e com olhos de pranto, 
eu me vejo tão só...

(Eloah Borda – D.A.R.)

domingo, outubro 05, 2008

sábado, setembro 27, 2008

quinta-feira, setembro 25, 2008

Tempestade de Verão

TEMPESTADE DE VERÃO
(Eloah Borda)

E sobre a tarde desce um véu cinzento
- nuvens se adensam, prenhes de tormenta -
miniremoinhos, filhotes de vento,
brincam de rodopiar pela calçada...

Há uma calma irreal, morna, pesada,
já prenunciando a tempestade... O vento,
de repente se faz forte, violento,
e o céu desaba num fragor de raios,
trovões, chuva, granizo, ventania!

O que era calma, agora se fez fúria,
e o que já era cinzento, escuridão,
foi-se a energia elétrica, e eu mal vejo
à luz intermitente dos relâmpagos,
a folha de papel na qual escrevo.

Decido: escreverei à luz de velas,
pois não vou permitir que esta tormenta,
que já apagou, na tarde, a luz do dia
- e agora apaga a luz artificial -
também apague a minha poesia...

Mas em seguida tudo passa, e o vento,
agora ameno, tange céus afora,
restos de nuvens, paridas, vazias,
por entre as quais vazam raios de sol
- um sol que já se vai rumo ao poente,
tingindo de dourado o fim da tarde,
com toques de vermelho no horizonte
- o que era fúria, se faz calmaria,
o que era escuridão, volta a ser dia.

Gotas ainda pingam dos beirais,
no ar há um cheiro de terra molhada,
e espanejando-se nas poças d’água,
estão a refrescar-se alguns pardais.

E tudo agora é paz...

Fico a pensar, então, que bom seria,
nossas tormentas fossem passageiras
como essas tempestades de verão...

Mas tem, o coração, seu próprio tempo,

e estou ainda a esperar... Quem sabe,
um dia, o vento bom do esquecimento,
venha varrer meu céu, levando enfim,
todos os restos dos meus temporais...

... e o sol volte a brilhar no meu jardim,
e cantem pássaros nos meus beirais...

(Direitos Autorais Reservados)